sábado, 18 de dezembro de 2010 | By: "Prisioneiro do seu próprio Mundo"

Necesidades Educativas Especiais

As crianças e jovens com necessidades educativas especiais devem ter acesso às escolas regulares, estas devem ser preparadas através de um processo educativo centrado neles. As escolas devem ser capazes de ir ao encontro das necessidades de cada um, para que todos os elementos se consigam inserir no âmbito escolar.
As escolas regulares ao seguirem esta orientação estabelecem os meios capazes para combater as atitudes discriminatórias, criando assim comunidades abertas e solidárias. Cria-se assim uma população capaz de integrar toda a sociedade; além disso, proporcionam uma educação adequada à maioria das crianças e promovem a eficiência, numa óptima relação custo - qualidade, de todo o sistema educativo.
O Gabinete de Apoio Escolar da escola DIDÁXIS | Cooperativa de Ensino de Riba de Ave tem como função a execução de estratégias e a criação de actividades propostas no âmbito curricular, estas contribuem para a educação de crianças/jovens com necessidades educativas especiais tendo em conta que apresentam incapacidades prolongadas e que, como tal, estas limitações interferem no processo de aprendizagem e na convivência com os outros. Na verdade este tipo de necessidades chega a dificultar a inclusão social do indivíduo, sendo este um dos exemplos mais frequentes de pessoas que sofrem de doenças sensoriais ou até mesmo mentais.


Entrevista
1. Em que consiste o trabalho no Gabinete de Apoio Escolar? Que tipo de tarefas/actividades realiza com os alunos?
“O nosso trabalho é preparar os alunos essencialmente a nível escolar de modo a que desenvolvam capacidades das quais vão depender quando saírem do ensino obrigatório. São realizadas diferentes actividades, especialmente práticas, dependendo das dificuldades educativas das crianças com deficiência mental. Estas actividades vão desde aulas de apoio, através das quais tentamos também interagir em outros aspectos com esse tipo de alunos, até aulas específicas com outras crianças que possuem o mesmo grau de deficiência.”

2. Os seus métodos de trabalho já estão determinados?
“Assim que os professores notam certas dificuldades em alunos eles são encaminhados para o Gabinete de Psicologia onde é efectuada uma análise psicológica e até do próprio processo do aluno. Se continuar a existir a possibilidade de ser deficiência mental então o aluno é avaliado a nível escolar e de acordo com o seu grau são definidas as medidas educativas necessárias a aplicar para que consiga acompanhar os restantes colegas de turma.
Quando a deficiência mental é grave então, eles são retirados da turma e passam a frequentar disciplinas que têm carácter prático, sendo estas designadas funcionais”

3. O que considera importante em termos de características pessoais para exercer a sua profissão? (interesses, aptidões, personalidade…)
“As características fundamentais para exercer esta profissão são mesmo a paciência, a compreensão e a sensibilidade para perceber as dificuldades que enfrentam e ajudá-los, não só nas aulas mas também noutras situações porque há crianças que nem se quer conseguem ser autónomas, tanto que é necessário, por exemplo, acompanhá-los até às máquinas e tirar as senhas necessárias para a cantina ou bar porque eles não conseguem fazê-lo.”

4. De que modo estabelecem comunicação com estas crianças?
“A verdade é que não é assim tão difícil estabelecer uma comunicação com elas porque o facto de estarem sempre sozinhas e não poderem usufruir tanto das brincadeiras que as outras crianças realizam, ou seja, o facto de não se conseguirem integrar condiciona a sua tendência para se abrirem com os professores do Gabinete, até têm mais confiança em nós, que passamos mais tempo como eles do que com os próprios directores de turma. Só que há sempre excepções, onde é mais complicado para o aluno se abrir. Não quer dizer que não responda ao que lhe perguntámos, mas não são capazes de manter uma conversa nem de responder a questões muito longas que necessitem de uma maior elaboração frásica.”

5. Tendo em conta a sua experiência profissional, o que acha mais complicado de executar com esses alunos?
“Em alguns casos é muito difícil conseguir a cooperação da família e, obviamente que se não tivermos a autorização dos pais não podemos ajudar. Ou é porque ignoram a doença do filho uma vez que têm objectivos muito definidos para ele, ou não conseguem enfrentar a situação e acabam por colocá-los de parte ou até mesmo serem demasiado protectores.”

6. Na sua opinião, acha que o Estado reconhece a importância da solidariedade social bem como o apoio a jovens como este tipo de problemas?
“Reconhecer, reconhece mas o problema é disponibilizar o dinheiro necessário e os profissionais para exercer as tarefas.”

7. De que modo o Gabinete de Apoio Escolar influência a vida das crianças com doenças mentais?
“O objectivo principal é fazer com que ao saírem da escola sejam capazes de se integrar na sociedade tanto a nível profissional como a nível social, ou seja, que consigam ter amigos à semelhança de um aluno sem qualquer necessidade educativa especial.
Os professores normalmente é que decidem o futuro dos alunos mas, entretanto, há uns que após as aulas funcionais descobrem algo que gostam e se aplicam bastante conseguindo ser profissionalmente bem sucedidos.”

8. Tem alguma sugestão/conselho que considera importante fornecer às pessoas relativamente no que toca a crianças com doenças mentais?
“É uma cobardia demasiado grande gozar com uma criança ou adolescente que sofra deste tipo de doenças porque a maior parte deles nem se apercebem de que são verbalmente agredidos mas mesmo assim é uma falta de respeito e em caso de agressão física não há qualquer justificação possível. Portanto, sempre que possível é alertar essas pessoas do mal que estão a fazer e integrar as crianças nas brincadeiras, no ciclo de amizade.”


Nome: Marta Reis
Profissão: Professora
Data: 22 de Outubro de 2010

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