sábado, 18 de dezembro de 2010 | By: "Prisioneiro do seu próprio Mundo"

Doenças Mentais - Características

Segundo a Organização Mundial de Saúde, a Saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças. Em geral, pode afirmar-se que Doença Mental é uma condição que limita de forma adversa as emoções, os processos individuais de pensamento e os comportamentos e/ou interacções com outras pessoas. Como tal, as Doenças Mentais interferem negativamente na capacidade de gerir eficazmente a vida do indivíduo e dos que o rodeiam (família, amigos, etc.), o que leva também a que as áreas física e social sejam afectadas.
O grupo procedeu à selecção de algumas doenças que gostaria de tratar ao longo do ano lectivo: 


Autismo
O autismo é uma perturbação global do desenvolvimento infantil que se prolonga por toda a vida. É uma alteração cerebral/comportamental que impede uma pessoa de comunicar, estabelecer relações e responder apropriadamente ao ambiente que a rodeia.

Algumas características desta doença são:
- Dificuldade de relacionamento com outras pessoas;
- Riso inapropriado;
- Pouco ou nenhum contacto visual;
- Aparente insensibilidade à dor;
- Preferência pela solidão;
- Perceptível hiperactividade ou extrema inactividade;
- Insistência em repetição, resistência à mudança de rotina;
- Pouca noção do perigo;
- Dificuldade em expressar necessidades – uso de gestos, como apontar em vez do uso de palavras;
- Frequentes acessos de raiva;
- Aflição sem razão aparente.

     Esquizofrenia
A esquizofrenia é uma doença mental grave e crónica. É relativamente frequente e associa-se com a psicose (uma perda de contacto com a realidade) e com uma diminuição no desenvolvimento geral de certas funções. Sem tratamento, esta doença impossibilita a pessoa de se comportar normalmente na família, no trabalho e na comunidade.
Os principais sintomas são: Alucinações e delírios, pensamento desorganizado, alterações dos afectos e das emoções.
A pessoa que sofre de esquizofrenia pode deixar de falar, ter respostas emocionais desadequadas, ausência de respostas emocionais, apresentar períodos longos de exaltação ou depressão, e ideias de perseguição.
Com um tratamento farmacológico adequado, grande parte destes sintomas atenuam ou mesmo desaparecem.

     Depressão
A depressão é uma doença mental que pode afectar o humor durante longos períodos de tempo. Os sintomas incluem: perturbação do apetite e do sono, fadiga e perda de energia, sentimentos de inutilidade, culpa e incapacidade, falta de concentração e preocupação com a morte, desinteresse, apatia e tristeza.
A Depressão pode afectar pessoas de todas as idades, desde a infância à terceira idade e, sem tratamento, pode conduzir ao suicídio.
 
     

Bipolaridade
A Bipolaridade é também uma doença mental caracterizada por oscilações do humor, havendo períodos de extrema exaltação e outros de depressão profunda.
  
   




   Síndrome de Down
A Síndrome de Down ou Trissomia 21 é uma doença geralmente identificada ao nascimento e corresponde a um distúrbio genético causado pela presença de um cromossoma 21 total ou parcialmente
A síndrome é caracterizada por uma combinação de diferenças na estrutura corporal. Geralmente a síndrome de Down está associada a algumas dificuldades de habilidade cognitiva e desenvolvimento físico, assim como da aparência facial.
Pessoas com síndrome de Down podem ter uma habilidade cognitiva abaixo da média, geralmente variando de retardo mental leve a moderado.
Uma pessoa com a síndrome pode apresentar algumas das seguintes condições físicas: olhos amendoados, uma prega palmar transversal única , dedos curtos, fissuras palpebrais oblíquas, ponte nasal achatada, pescoço curto, pontos brancos nas íris, uma flexibilidade excessiva nas articulações, defeitos cardíacos congénitos, etc.
Outra característica frequente é a microcefalia, um reduzido peso e tamanho do cérebro. O progresso na aprendizagem é também tipicamente afectado por doenças e deficiências motoras, como doenças infecciosas recorrentes, problemas no coração, problemas na visão (miopia, astigmatismo ou estrabismo) e na audição.
 

          

Demência
A demência é um problema mental grave, provocado por vários tipos de lesões no cérebro, que afecta essencialmente os idosos, perturbando todas as funções intelectuais e evoluindo de forma progressiva.

    



 
 Alzheimer
A doença de Alzheimer é uma doença do cérebro (morte das células cerebrais e consequente atrofia do cérebro), progressiva, irreversível e com causas e tratamento ainda desconhecidos. Começa por atingir a memória e, progressivamente, as outras funções mentais, acabando por determinar a completa ausência de autonomia dos doentes.
Os doentes que sofrem de Alzheimer tornam-se incapazes de realizar a mais pequena tarefa, deixam de reconhecer os rostos familiares, ficam incontinentes e acabam, quase sempre, acamados.
Ao princípio observam-se pequenos esquecimentos, perdas de memória, normalmente aceites pelos familiares como parte do processo normal de envelhecimento, que se vão agravando gradualmente. Os pacientes tornam-se confusos e, por vezes, agressivos, passando a apresentar alterações da personalidade, com distúrbios de conduta.
À medida que a doença evolui, tornam-se cada vez mais dependentes de terceiros, iniciam-se as dificuldades de locomoção, a comunicação inviabiliza-se e passam a necessitar de cuidados e supervisão integral, até mesmo para as actividades elementares do quotidiano, como alimentação, higiene, vestuário, etc.

Necesidades Educativas Especiais

As crianças e jovens com necessidades educativas especiais devem ter acesso às escolas regulares, estas devem ser preparadas através de um processo educativo centrado neles. As escolas devem ser capazes de ir ao encontro das necessidades de cada um, para que todos os elementos se consigam inserir no âmbito escolar.
As escolas regulares ao seguirem esta orientação estabelecem os meios capazes para combater as atitudes discriminatórias, criando assim comunidades abertas e solidárias. Cria-se assim uma população capaz de integrar toda a sociedade; além disso, proporcionam uma educação adequada à maioria das crianças e promovem a eficiência, numa óptima relação custo - qualidade, de todo o sistema educativo.
O Gabinete de Apoio Escolar da escola DIDÁXIS | Cooperativa de Ensino de Riba de Ave tem como função a execução de estratégias e a criação de actividades propostas no âmbito curricular, estas contribuem para a educação de crianças/jovens com necessidades educativas especiais tendo em conta que apresentam incapacidades prolongadas e que, como tal, estas limitações interferem no processo de aprendizagem e na convivência com os outros. Na verdade este tipo de necessidades chega a dificultar a inclusão social do indivíduo, sendo este um dos exemplos mais frequentes de pessoas que sofrem de doenças sensoriais ou até mesmo mentais.


Entrevista
1. Em que consiste o trabalho no Gabinete de Apoio Escolar? Que tipo de tarefas/actividades realiza com os alunos?
“O nosso trabalho é preparar os alunos essencialmente a nível escolar de modo a que desenvolvam capacidades das quais vão depender quando saírem do ensino obrigatório. São realizadas diferentes actividades, especialmente práticas, dependendo das dificuldades educativas das crianças com deficiência mental. Estas actividades vão desde aulas de apoio, através das quais tentamos também interagir em outros aspectos com esse tipo de alunos, até aulas específicas com outras crianças que possuem o mesmo grau de deficiência.”

2. Os seus métodos de trabalho já estão determinados?
“Assim que os professores notam certas dificuldades em alunos eles são encaminhados para o Gabinete de Psicologia onde é efectuada uma análise psicológica e até do próprio processo do aluno. Se continuar a existir a possibilidade de ser deficiência mental então o aluno é avaliado a nível escolar e de acordo com o seu grau são definidas as medidas educativas necessárias a aplicar para que consiga acompanhar os restantes colegas de turma.
Quando a deficiência mental é grave então, eles são retirados da turma e passam a frequentar disciplinas que têm carácter prático, sendo estas designadas funcionais”

3. O que considera importante em termos de características pessoais para exercer a sua profissão? (interesses, aptidões, personalidade…)
“As características fundamentais para exercer esta profissão são mesmo a paciência, a compreensão e a sensibilidade para perceber as dificuldades que enfrentam e ajudá-los, não só nas aulas mas também noutras situações porque há crianças que nem se quer conseguem ser autónomas, tanto que é necessário, por exemplo, acompanhá-los até às máquinas e tirar as senhas necessárias para a cantina ou bar porque eles não conseguem fazê-lo.”

4. De que modo estabelecem comunicação com estas crianças?
“A verdade é que não é assim tão difícil estabelecer uma comunicação com elas porque o facto de estarem sempre sozinhas e não poderem usufruir tanto das brincadeiras que as outras crianças realizam, ou seja, o facto de não se conseguirem integrar condiciona a sua tendência para se abrirem com os professores do Gabinete, até têm mais confiança em nós, que passamos mais tempo como eles do que com os próprios directores de turma. Só que há sempre excepções, onde é mais complicado para o aluno se abrir. Não quer dizer que não responda ao que lhe perguntámos, mas não são capazes de manter uma conversa nem de responder a questões muito longas que necessitem de uma maior elaboração frásica.”

5. Tendo em conta a sua experiência profissional, o que acha mais complicado de executar com esses alunos?
“Em alguns casos é muito difícil conseguir a cooperação da família e, obviamente que se não tivermos a autorização dos pais não podemos ajudar. Ou é porque ignoram a doença do filho uma vez que têm objectivos muito definidos para ele, ou não conseguem enfrentar a situação e acabam por colocá-los de parte ou até mesmo serem demasiado protectores.”

6. Na sua opinião, acha que o Estado reconhece a importância da solidariedade social bem como o apoio a jovens como este tipo de problemas?
“Reconhecer, reconhece mas o problema é disponibilizar o dinheiro necessário e os profissionais para exercer as tarefas.”

7. De que modo o Gabinete de Apoio Escolar influência a vida das crianças com doenças mentais?
“O objectivo principal é fazer com que ao saírem da escola sejam capazes de se integrar na sociedade tanto a nível profissional como a nível social, ou seja, que consigam ter amigos à semelhança de um aluno sem qualquer necessidade educativa especial.
Os professores normalmente é que decidem o futuro dos alunos mas, entretanto, há uns que após as aulas funcionais descobrem algo que gostam e se aplicam bastante conseguindo ser profissionalmente bem sucedidos.”

8. Tem alguma sugestão/conselho que considera importante fornecer às pessoas relativamente no que toca a crianças com doenças mentais?
“É uma cobardia demasiado grande gozar com uma criança ou adolescente que sofra deste tipo de doenças porque a maior parte deles nem se apercebem de que são verbalmente agredidos mas mesmo assim é uma falta de respeito e em caso de agressão física não há qualquer justificação possível. Portanto, sempre que possível é alertar essas pessoas do mal que estão a fazer e integrar as crianças nas brincadeiras, no ciclo de amizade.”


Nome: Marta Reis
Profissão: Professora
Data: 22 de Outubro de 2010